Aleph trás edição inédita de Piquenique na Estrada

Piquenique na Estrada, livro que inspirou o filme Stalker, de Andrei Tarkóvski, volta as prateleiras da Aleph.

Piquenique na Estrada se passa na cidade de Harmont, que foi palco de uma das várias invasões alienígenas na Terra. Nesse momento o clima é de incerteza e medo. Os visitantes anônimos não se comunicaram com os terráqueos, e assim deixaram a humanidade com questionamentos aterradores. Nos locais onde eles estiveram, agora zonas proibidas, fenômenos perigosos continuam acontecendo. O trabalho ilegal de Redrick Schuhart, e de todos os outros stalkers, é invadir esse território para coletar e depois comercializar estranhos e misteriosos objetos trazidos de mundos distantes.
A publicação ganhou atenção por ser escrita num período de Guerra Fria e, ainda assim, fazer críticas ao totalitarismo, armas nucleares e problemas sociais. Essa combinação chamou a atenção do cineasta Andrei Tarkóvski, que então produziu o filme Stalker. Inspirado em Piquenique na Estrada, o longa foi lançado em 1979 com roteiro feito pelos próprios Arkádi e Boris Strugátski.
A obra dos irmãos Strugástski, volta às prateleiras pela Editora Aleph em uma edição inédita. Traduzida direto do russo e com o texto original, traz duas leituras complementares: um prefácio assinado por Ursula K. Le Guin, autora de A Mão Esquerda da Escuridão, e um posfácio escrito pelo próprio Bóris.
Publicado pela primeira vez em 1972, depois de oito longos anos de modificações e cortes – os editores consideravam algum trechos violentos ou com linguagem imprópria –, a obra chegou aos leitores bastante retaliada, a ponto de os autores se recusarem a ler a versão final. O trabalho original só foi publicado com o fim da União Soviética.

… (os editores) realmente pensavam assim: que a linguagem tinha que ser, na medida do possível, insossa, lisa e envernizada, e, em hipótese alguma, grosseira; que a ficção científica deveria ser de fato ficcional e jamais poderia se aproximar da dura, palpável e cruel realidade; que os leitores, de modo geral, tinham que se ver protegidos do impacto com a vida real: que deviam viver de sonhos, fantasias, ilusões e de lindas ideias efêmeras” – Boris Strugástski 

A edição também trás o trecho de uma resenha escrita por Le Guin no ano em que o livro foi publicado em inglês pela primeira vez. Nele, a autora elogia Piquenique na Estrada e conta que escrever um texto falando bem de uma ficção científica soviética foi um pequeno ato político no contexto da época. “A FC se presta facilmente à subversão imaginativa de qualquer status quo. Burocratas e políticos, que não podem se dar ao luxo de cultivar a imaginação, tendem a presumir que são só bobagens e armas de raios, coisas de criança”, escreve.

 

Piquenique na Estrada – Boris e Arkádi Strugátski

Piquenique na Estrada - CapaEditora: Aleph
Edição: 1ª (3 de Novembro de 2017)
Tradução: Isadora Prospero e Tatiana Larkina
Páginas: 320 p.
Dimensões: 21,6 x 13,7 cm
ISBN-10: 857657389X
ISBN-13: 978-8576573890
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