Resenha: Killian – Beatriz de Castro

Pietra está em pedaços mas, de alguma maneira, mais forte do que nunca. Cabe a seus amigos e principalmente a Killian mostrar a ela que não está sozinha.

No final do primeiro livro da Trilogia Sobrevivência – que resenhamos aqui Pietra foi sequestrada por Rafaelli, cientista de Londinium, cidade onde os homens (apenas eles) iam trabalhar e garantir alimento da sua família. Sem seu pai para representa-los Pietra se transforma em Petrus e enquanto tenta manter seu segredo, descobre que a vida não é tão simples como pensava. Killian, que se torna seu grande companheiro no primeiro livro, é resgatado pelos rebeldes muito ferido. Cheio de hematomas e sem forças, seu primeiro pensamento sempre é Pietra que precisa ser resgatada o quanto antes. Yara e Serafine, aos poucos tentam mostrar para o rapaz que a melhor coisa agora é treinar e ganhar forças para quando surgir a oportunidade de trazer de volta a corajosa Pietra.

-Não, – rebateu Yara – como líder sou forçada a tomar decisões difíceis, mas eu não a abandonei. Tentei resgatá-la quantos vocês estavam a salvo, mas fui impedida e quase presa novamente. Portanto, decidi voltar e reagrupar, fazer as coisas sem pensar antes, só traria tragédia, Killian! Quantos outros de meus soldados eu perderia se tivesse tentado voltar?” – P.03

Killian então conhece uma nova rotina. A base onde agora vive se chama Boudicca e não é única. Em uma delas está a sua família e a de Pietra, que foram levadas da antiga vila. Apesar de ser uma base militar subterrânea, sem sol, cheia de horários, rotina pesada de treinamentos e soldados, a vida era boa. As partes prediletas de Killian era a companhia de Serafine e Diana e a comida. Varias refeições ao dia (com ensopados, pães, frutas e hortaliças), amigos por perto e uma certa liberdade. E é Serafine quem explica para o amigo um pouco mais sobre esse novo mundo.

Quando as fábricas foram iniciadas, algumas pessoas perceberam que não era exatamente essa maravilha que eles estavam pregando, principalmente os intelectuais, que deveriam jogar fora todo o conhecimento que tinham e passar somente ao trabalho braçal – Ela fez uma pausa – Infelizmente, mesmo assim muito do nosso conhecimento foi esquecido e apenas uma parcela de nós sabe ler, escrever e outras ciências, são os chamados “cientistas”, enquanto que a maioria de nós integra os “soldados”, além desses dois grupos que ainda existem os “operários” que são aqueles que desenvolvem diversas tarefas aqui na base.” – P. 14

Enquanto isso Pietra está em pedaços. Torturada física e mentalmente pelo Doutor Rafaelli, ela até manteve as esperanças nas primeiras semanas. Mas o tempo foi passando e a dúvida aumentando… até que Pietra se desligou. Para fugir dos constantes abusos e manter as informações que tinha sobre seus amigos a salvo ela encontrou um lugar dentro de si tão profundo que se perdeu. Aos poucos ela não lembrava mais de quem era, ou o porque estava ali. A Vila, sua família, a fábrica e até mesmo Killian, parecem coisas de outra vida. Pietra passa a simplesmente viver a dor.

Bem no fundo, sabia que essa era sua maneira de lutar, de se proteger, achou um lugar dentro de si que eles não conseguiam alcançar e lá se recolhei e ficou. Sabia que existia algo além daquelas paredes, daquele frio e daquela dor, mas já não consegua se lembrar o que era. Sabia também que existiam pessoas importantes para ela, entretanto seus rostos e nomes lhe escapavam. Sua vida parecia ter se iniciado naquela cela e achava que teria fim no mesmo lugar.” – P. 22

Além de Killian e Pietra, Yara, Serafine e suas famílias estão de volta. Também temos novos personagens como a doce e tímida Diana, namorada de Serafine e o conselho de Boudicca, que além de Yara, conta com Khen “uma mulher de meia idade, descendente dos antigamente chamados de asiáticos” (p.19), as gêmeas de ascendência indigena Nita e Niara, que eram as mais jovens do grupo e o arrogante e taciturno Gunther, um personagem que devemos prestar bastante atenção.

A sensação de que cada parte dos seus ossos era esmigalhada percorreu todo o seu corpo e Pietra queria gritar, mas nenhum som saía se sua boca. Sentia um pouco de espuma se formar no canto de seus lábios e forçou a abrir os olhos e ter como foco de seu ódio o homem que sorria ao vê-la em desespero. O rosto dele, entretanto, se contorcia e se tornava o de Gunther com um sorriso maléfico e voltava para o homem de jaleco.” – P. 74

Através dos olhos de Pietra e Killian Beatriz de Castro da mais profundidade a saga e personagens, principalmente os femininos. Pê pode estar destruída, mas através da família e amigos busca forças para se estabelecer e ficar mais forte. Serafine, na verdade é uma guerreira, a instrutora de treinamento da Base. Yara, a chefe do conselho (que conta com três mulheres) e até a jovem Diana mostra sua luta para sobreviver numa sociedade machista. Todas mulheres guerreiras que buscam força dentro de si para deixar o mundo melhor. E nós embarcamos nessa viagem, conhecendo junto com eles essa sociedade que vai muito além de trabalho em troca de comida. Ela também tem intrigas, mistérios, guerreiros e guerreiras em batalhas e está prestes a entrar em guerra.

Killian tem um ritmo ótimo, cheio de ação, drama, um toque de romance, mas também  carregado de ansiedade. Algo que não me lembro se senti em Pietra. Os poucos momentos felizes, são tão bons que você tem medo de virar a página, pois sabe que logo algo vai dar muito errado. Isso é o suficiente para você devorar todas as páginas rapidamente e ser engolido pelo mundo de Beatriz. O único alerta porém é não ler Killian antes de Pietra. A sequencia correta é essencial.

O livro, que em breve ganhará uma edição física, já está disponível em e-book no site da Amazon .

Killian (Trilogia Sobrevivência, Livro 2) – Beatriz de Castro

KillianEditora: Escritora Independente
Formato: E-Book
Páginas: 164 páginas
ASIN: B07583NHDL
Compre Aqui: 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *