Resenha: Dívida de Honra – Chuck Wendig

Norra, Temmin, Ossudo, Jas, Sinjir e John estão de volta em Dívida de Honra, para uma missão importante: Resgatar Han Solo.

Dívida de Honra é o segundo livro da trilogia Aftermath, que trás acontecimentos da Galaxia, pós a explosão da segunda Estrela da Morte. No primeiro livro, Marcas da Guerra, que já resenhamos aqui, vimos o estado caótico que se encontra o império depois da morte de Palpatine e acompanhamos a formação desse time improvável: uma piloto rebelde, seu filho e seu droide psicopata, uma caçadora de recompensas, um ex-imperial e um soldado rebelde (daqueles certinhos, bem chatos). Agora, Chuck Wendig, mostra como está se saindo o grupo, que tem o objetivo caçar imperiais e mais do que isso, trás um panorama do atual de como está a Nova República.

Ao redor deles, flutuam várias holoprojeções: Datagráficos, mapas de sistemas, mapas de planetas, diagramas. Isso se soma a uma galáxia no caos. Um galáxia cuja lealdade está dividida – não meramente entre os dois lados antagônicos da Nova República e do Império Galáctico, mas fatiada em facções. Essas facções vão lutar. Cairão umas sobre as outras. Formarão suas próprias estruturas de poder. Chefões vão lidera-las. Bom como déspotas, chefes do crime, líderes cultos. A galáxia, que antes sofria a crueldade da ordem do Império, será jogada em um turbilhão da desordem e da loucura. Será uma época feia, Leia sabe, se a Nova República não puder sair desse emaranhado labiríntico. Uma época sombria.” – P. 215

Nesse cenário Han Solo é avisado (ainda em Marcas da Guerra) que é o melhor momento para libertar Kashyyk. O Planeta natal de Chewbacca está a anos dominado pelo Império. Seus habitantes se tornaram escravos. Mas, sem a ajuda da Nova República (que não vê vantagem tática em libertar o planeta), Han e seu grupo de contrabandistas caem em uma emboscada, que resultou na captura de Chewie e no desaparecimento de Han. Desesperada e sem poder abandonar seu posto na Nova República, General Leia, chama o melhor grupo de rastreadores da galáxia.

Dívida de Honra

Leia hesita. Seu rosto é como uma onda prestes a quebrar. Em seus olhos há uma guerra pelo controle, como se soubesse que seu trabalho é ser calma e comedida, mas o que ela realmente quer é jogar tudo para o ar. Todos os sentimentos reprimidos, todas as frustrações de dirigir um governo, todos os seus medos e desejos.

Ela diz as palavras lenta e cuidadosamente:

– Han está desaparecido. Eu preciso que ele seja encontrado. E seu time encontra pessoas.” – P.83

Falando assim parece simples: Han se dá mal e vai ser resgatado pelo Grupo e fim da história. Esse de fato é o plot do livro. Mas Dívida de Honra é um livro complexo. Complexo em seu enredo tão rico em detalhes. No meio da bagunça que a Chanceler Mon Mothma tenta organizar, a frente da Nova República, temos o outro lado. Rae Sloane está a frente do Império. Pelo menos é isso que a galáxia pensa. Atrás dela está seu conselheiro, Almirante Gallius Rax. Apresentado em Marcas da Guerra e cautelosamente aprofundado aqui, este é um personagem do qual eu acredito que devemos ter uma atenção redobrada. Sloane descreve ele como “um espectro – antes apenas um nome, mas de repente convocado e manifestado. É assim que ela se sente quando o encontra, como se estivesse encontrando o holograma de um homem morto, feito para passar como real“. Rax tem todos nas mãos. Assim como o Imperador, ele move cada peça, para alcançar o seu objetivo. Sem importar se é rebelde ou império.

– Você está manipulando, almirante. Não sei o que está manipulando, mas está fazendo isso. Eu nem sei quem você é ou de onde veio. Você pouco mais que uma sombra… e ainda assim lidera o Império.

– Secretamente. Você á grã-almirante aqui, devo lembrá-la.

– Nominalmente, sim. E sua liderança não é tão secreta assim. Você mais conhecido do que pensa. A verdade vai se espalhar.” – P.223

Em Dívida de Honra, Chuck Wendig, usa menos contos do que em Marcas da Guerra.  Aqui ele trás algumas continuações (como o de Tatooíne), trás para a história principal alguns personagens que estavam nos contos do Marcas e, claro, apresenta contos novos. Um deles tem Maz Kanata. A pequena mulher de olhos expressivos sente que “algo está fora de equilíbrio” e parte pela galáxia para ver o que exatamente pode encontrar

Dívida de Honra

Entre os personagens conhecidos temos (entre outros) Wedge, Ackbar, Mon Mothma, Han, Chewie, Maz Kanata, Mas Amedda e claro… Leia. Como é bom ter a presença da Princesa de Alderan. Ela é uma das minhas personagens prediletas e nesse livro temos uma boa dose dessa rebelde idealizadora. Sentimos o amor dela por Han, e a sua ferocidade por fazer as coisas que ela acha que são certas. Um dos trechos mais legais do livro é uma descrição que a Norra Wexley faz da General. É quase como se, Wendig descrevesse não só a personagem, mas interpretação de Carrie Fisher.

Dívida de Honra

Ela é uma coisa estranha de ver, mas Leia tem uma fachada, um verniz – não é altiva, não exatamente. Um pouco fria. Certamente confiante – uma confiança, na verdade, que faz fronteira com a arrogância. Não é como se ela estivesse desprezando você, mas é como se ela comandasse você. É um comando tão natural quanto a órbita elíptica de um mundo ao redor de sua estrela, tão óbvio e tão eterno quanto o fluxo do tempo ou a presença da gravidade.” – P. 82

Entre os integrantes do Time, Weding abusa da profundidade. Torna eles muito mais complexos que no primeiro livro. Em Dívida, todos (com exceção talvez de Ossudo) passam por questões existenciais. “O que eu quero ser?”, “Quem é bom, quem é mal?“, “Quem sou eu?“… O mais complicado, na minha opinião, é Sinjir. Treinado boa parte da vida para ler o ser humano e descobrir suas verdades através da dor, ele não sabe mais se torturar, por uma causa supostamente boa, o torna bom. Sinjir, alias, tem a sua sexualidade muito mais abordada nesta continuação. Já Norra, que ganhou o crachá de mãezona do grupo, dá uma aula sobre o que é ser um Rebelde e aprende que nem sempre dá pra agradar todo mundo.

A base do Império é seguir ordens, mas a da Aliança Rebelde era mudar tudo – jogar tudo para o alto e lançar um gesto obsceno antes de sair da sala. O Império não se importava com os indivíduos. O Império se preocupava apenas consigo mesmo. Ainda se preocupa. Mas Norra quer se preocupar com as pessoas de novo. Não com ordens. Não com governos.” P – 196

Dívida de Honra é um livro que fã nenhum de Star Wars pode deixar de ler. Por ser um canon, ele mostra como (ou quando) aconteceram algumas coisas que vão dar em O Despertar da Força (Temmin, eu já contei pra vocês na resenha de Marcas, aparece em Despertar). Afinal o livro trata de Han, de Leia e até de Luke que está “desaparecido” mas é quase onipresente. Além de ser um excelente esquenta para Os Últimos Jedi, vide que ele pode revelar alguns mistérios da nova trilogia (ou simplesmente plantar a semente na sua cabeça)

Se você pode ler Dívida de Honra, sem ler Marcas da Guerra? Sim é possível. Você talvez se perca em alguns detalhes, mas com certeza vai compreender e ser preso pela história. Se você pode ler, sem ser fã de Star Wars? Claro!!! Não tenha vergonha de ter um celular ou tablet do lado para conferir nome de planetas, raças ou mesmo personagens. Star Wars não é só uma galáxia, é um universo… de fato é muita coisa para guarda. “Mas eu só vi a trilogia antiga“. Ah! É aí mesmo que você deveria ler esse livro. Você vai amar e se emocionar. E mais uma coisa. No final, de alguma forma, tudo termina ou começa em Jakku.

Star Wars, Dívida de Honra – Chuck Wendig

Dívida de HonraEditora: Aleph
Edição: 1ª (5 de julho de 2017)
Páginas: 464 p.
Dimensões: 22,8 x 16 cm
ISBN-10: 8576573709
ISBN-13: 978-8576573708
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