Resenha: Abominação – Gary Whitta

Quando eu comprei a edição da DarkSide Books de Abominação, achei que ia ler uma história envolvendo Vikings… mas não foi só isso. Foi melhor! Muito melhor!!

Eu não costumo ler sinopse, indicações, notícias ou qualquer coisa antes de um livro. Normalmente eu escolho pela capa, pelo autor ou por algum tipo de tema. No caso de Abominação eu li em algum lugar que tinha algo haver com Vikings <3, some isso a esse trabalho editorial sensacional e o autor, que é ninguém menos que o criador de Rogue One. Não tive como resistir. E para ficar melhor ainda, Abominação, não foi apenas uma carinha bonita, ele me surpreendeu e eu adoro isso.

A obra conta uma história que dá para dividir em três partes. Começamos com a guerra do Rei Alfredo contra os Vikings no século IX. Um relato contado e recontado N vezes, em N mídias. Mas com Q diferente. Alfredo está quase entrando num acordo com os nórdicos, mas seu Arcebispo Aelthered – que encontrou pergaminhos mágicos – tem outras ideias para acabar com a guerra. Os documentos ensinam a transformar seres vivos em criações abomináveis e violentas, que causam um medo profundo e não são tão fáceis de matar. E mesmo com Alfredo não achando que aquilo seja a melhor ideia para acabar com os Vikings permite que os estudos continuem, para ver onde vai dar.

A recomendação do conselho a Alfredo era quase unânime: como defensores juramentados do reino, era sua obrigação serem fortes, de estômago e de propósito. Não poderiam permitir que seu desgosto, por mais intenso que fosse, pelos métodos propostos por Aethelred – não convencionais, um conselheiro chamou-os eufemisticamente – tolhesse o que poderia ser uma poderosa oportunidade de garantir a paz futura para Wessex e para toda a Inglaterra. Tão avassaladora era a promessa que Aethelred trouxera para eles, em toda a conversa, nenhum homem presente ousou pronunciar a palavra que assombrava cada um em seu íntimo. Bruxaria. – P. 22

As abominações são extremamente violentas e selvagens e Aelthered não consegue controla-los. Com a situação ficando fora de controle Alfredo dá um ultimato: Ou ele aprende a controlar as bestas, ou o “projeto” está encerrado. O Arcebispo está obcecado, certo de que suas criaturas derrotarão os Vikings, alcança o objetivo da pior forma possível. Ele usa pessoas, seres humanos, soldados que desertaram e transforma-os em abominações, mais inteligentes, capazes de obedecer e tão violentas quanto.  E é engraçado imaginar como um “homem de Deus” participe e se entregue a essa forma de magia. Mas como estamos falando do século IX, período que os padres eram os estudiosos e ajudavam os Reis em suas guerras, pode não ser tão absurdo. Mas Aelthered está completamente fora de si e não admite derrota. Quando o Rei manda prende-lo na masmorra, ele foge e cria um pequeno exército de abominações para derrotar os Vikings. E aí começamos a segunda parte da história.

“Soltem suas armas e têm minha palavra de que não morrerão aqui e agora.”

Eles fizeram conforme ordenado. Aethelred ergueu as mãos e, fitando os dois homens nos olhos, começou a recitar as palavras que passaram meses aperfeiçoando.

E, logo em seguida, eles também já pertenciam a Aethelred. – P. 35

Agora os Vikings não são mais os inimigos. Alfredo precisa controlar seu Arcebispo, que não só pode acabar com a tentativa de acordo com os homens do mar do norte, como criar uma nova guerra muito mais destrutiva, usando homens e mulheres da Inglaterra. Para dar fim a esse desespero Alfredo chama seu  grande amigo Sir Wulfric – O Selvagem. Um homem que durante a guerra contra os bárbaros ficou conhecido pela sua grande habilidade e destreza nata com a espada, por ser um grande estrategista e por sua humildade sem limites. Wulfric é apresentado ao problema e incumbido de criar um grupo com os melhores homens para derrotar Aelthered  e sua abominações. Mas antes ele precisa enfrentar a fúria de sua esposa grávida que terá de ficar sozinha enquanto ele parte em missão. 

Quando Wulfric chegou em casa, foi pior do que temia. Cwen vociferou e xingou e jogou nele tudo que seu estado de gravidez avançada lhe permitia. Alfredo estava errado, claro – não sobre Cwen ser uma mulher de fé, mas em sugerir que isso a ajudaria a entender porque Wulfric precisava deixá-la quando sua barriga estava já madura e ela precisava dele. – P. 72

Wulfric, seu amigo Edgard e os homens mais fortes do exército de Alfredo O Grande, conseguem derrotar o Arcebispo depois de alguns meses, com a ajuda de Cuthbert, um padre com uma memória sem igual e que aprende partes muito úteis da magia dos pergaminhos, o que permite criar uma proteção contra os monstros. Mas não foi tão fácil. Num ato final Aelthered marca Wulfric com o animal que representa seu brasão – um escaravelho – e o joga uma maldição. Mas o guerreiro não se importa com isso, ele cumpriu a sua missão e tudo que quer agora é ir para casa conhecer seu filho e voltar para sua esposa. E é isso que ele faz. Ele parte e deixa para Edgard o objetivo de comunicar a vitória ao Rei e criar a Ordem: Uma organização criada pelos dois para acabar de uma vez as abominações que se espalharam pelo do Reino. 

Restava a longa e complicada tarefa de matar cada uma das abominações que fugiram da batalha, centenas delas agora espalhadas pelo país, uma ameaça a cada homem, mulher e criança na baixa Inglaterra. Mas Wulfric nunca teve a intenção de comandar essa força. Sugeriu a fundação da Ordem apenas para que outra pessoa pudesse concluir a tarda em seu lugar, permitindo que fosse para casa, para sua família. E sabia que Edgard adoraria essa incumbência, assim poderia atrasar a ida para casa. – P. 100

Wulfric volta para casa, para sua vida simples, sua esposa e filha que acaba de nascer. Mas na primeira noite ele descobre qual o resultado da maldição que Aelthered jogou sobre ele. Wulfric foi transformado em um hibrido. A noite abominação sem controle e de dia um homem com a consciência manchada por matar esposa e filho. E aí começa a terceira parte da história. Quinze anos anos depois Wulfric se tornou um andarilho sem destino. Seu objetivo é apenas manter a fera presa em correntes todas as noites e sem esperanças de esse martírio acabar. Até que ele conhece Indra, uma jovem que para entrar na Ordem, está caçando uma sozinha uma abominação.

Viver daquela forma durante quase um ano foi difícil, mas ela raramente reclamava. Essa Provação fora escolha dela; na verdade, insistiu nisso, mesmo com as sérias objeções de seu pai, que sempre fora extremamente protetor. No final não lhe restou  escolha a não ser ceder. – P. 130.

Lendo esses trechos acima, você pode achar que Abominação é uma história de guerra, cheia de violência. Sim, Gary Whitta escreveu uma obra cheia de sangue. Tanto sangue que chega a espirrar pelas páginas (rs). Mas não é só isso. Abominação é uma história linda e fantástica. Que fala sobre humildade e valores de família e sobre a importância de fazer bem ao próximo. Wulfric, é um personagem simples e sofrido como nunca vi e ainda assim mantém sua força nos momentos necessários. Indra é a heroína que toda menina gostaria de ser: Forte, determinada, leal, justa, mas cheia de problemas familiares. E se você acha que a abominação é o único vilão… leia o livro e me conte depois.

Abominação é um livro completo tem aventura, ação, romance, drama e alguns toques de comédia. Uma mistura de Médico e o Monstro, com Game Of Thrones, Vikings e as histórias do Rei Arthur. Através da visão de vários personagens, Gary Whitta esconde detalhes e revelando-os na hora certa. Uma leitura sedutora, bem escrita, do qual não duvido que vire uma série (isso, se já não estiver sendo produzida).

Abominação – Gary Whitta

Abominação - CapaEditora: DarkSide
Tradutor: Petê Rissatti
Páginas: 320 p.
Formato: Capa Dura
Dimensões: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-66636-79-6
Compre Aqui:

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *